terça-feira, 8 de outubro de 2013

EDUCAÇÃO PERMANENTE E EDUCADORA..



É evidente que, apesar da clara diferenciação dos processos de instrução e educação, ambos estão interligados. Não poderia existir um professor ou instrutor que, simultaneamente ao trabalho de transmissão de conhecimentos, não estivesse influenciado decisivamente a formação da personalidade, educando ou “deseducando”.
Educar seria fazer com que o indivíduo chegue a pensar por si mesmo, fazer com que consiga identificar e compreender sua verdade, mesmo que isto implique a correção ou rejeição das próprias conclusões. A figura do educador, dentro do contexto de “educação permanente”, não é tão clara estritamente delimitada. Quem educa está sendo submetido, ao mesmo tempo, a um processo de educação (ou reeducação): e isto só é possível quando a educação se define como um acompanhamento cordial, de imenso respeito e delicadeza, para que o educando consiga sua libertação pessoal, vivendo intensamente e avaliando eficientemente suas próprias experiências. Daí a necessidade de ativar a inteligência do educando em função e na direção específica da constatação, análise, avaliação e crítica, para que não aceite tudo o que lhe é transmitido pelos outros ou percebido por ele mesmo ao seu redor.
Assim será possível formar indivíduos plenamente conscientes da sua atuação na realidade, das suas limitações e dos seus deveres na convivência com outros seres humanos.
Isto seria, em síntese, o que entendemos  por “educação libertadora”.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

PSICOPEDAGOGIA.



PSICOPEDAGOGIA.

Por que uma Psicopedagogia Clínica? Por que uma Psicopedagogia Institucional? Por que uma Psicopedagogia Hospitalar? Por que dividir algo que precisa estar inteiro? A meu ver, a Psicopedagogia é uma só; acontece em diferentes espaços, com objetivos específicos, mas a forma de pensar sobre o aprendiz, de ver o processo de aprendizagem, de considerar o mundo e o conhecimento é a mesma. O objeto de estudo – a aprendizagem – é o mesmo e, por isso, não precisamos seguir modelos médicos e psicológicos e subdividir nossa área. Somos especialistas em aprendizagem, independente do espaço no qual essa aprendizagem se processa.
A Psicopedagogia já é uma consequência da interdisciplinaridade; se for subdividida, fabricará outras áreas e perderá seu caráter integrador. Precisamos cuidar, pois a Psicopedagogia foi construída como uma práxis interdisciplinar e, por isso, precisa continuar mantendo seu compromisso de desenvolver uma práxis articulada com o todo.
Um psicopedagogo deve se especializar em aprendizagem e compreendê-la como um processo que se dá no interior de cada um e é decorrente das interações e das relações desse sujeito com os grupos aos quais pertence, com as instituições das quais faz parte, com a comunidade e com a cultura local e globalizada.
Se quisermos compreender a aprendizagem no âmbito da instituição, olhamos para a instituição, para a forma como essa promove suas ações e como os sujeitos aprendem; porém, o foco continua sendo a aprendizagem. Dessa forma, não existe uma Psicopedagogia Institucional, e sim uma Psicopedagogia que está sendo desenvolvida dentro de uma instituição, num âmbito específico. Não há necessidade de segmentar a Psicopedagogia para termos tal compreensão. Com a mesma Psicopedagogia, podemos transitar do micro para o macro, e vice-versa, sem nos superespecializarmos somente em micro ou somente em macro.
Precisamos nos lembrar de nossa origem, para que viemos; a nossa identidade depende da inteireza de nossa área profissional. A segmentação faz brotar outras identidades, e nós, que estamos conseguindo formar um corpo de conhecimento e de ações que está sendo reconhecido em todo o mundo, não podemos fragilizar essa unidade e descaracterizar nossa ação. Portanto, lembrem-se: existe apenas uma Psicopedagogia e vários âmbitos de ação.

Laura Monte Serrat Barbosa.




segunda-feira, 5 de agosto de 2013

AUTISMO.



AUTISMO
O autismo é um distúrbio do desenvolvimento humano que vem sendo estudado pela ciência há quase seis décadas, mas sobre o qual ainda permanecem, dentro do próprio âmbito da ciência, divergências e grandes questões por responder.
Há dezoito anos, quando surgiu a primeira associação para o autismo no país, o autismo era conhecido por um grupo muito pequeno de pessoas, entre elas poucos médicos, alguns profissionais da área de saúde e alguns pais que haviam sido surpreendidos com o diagnóstico de autismo para seus filhos.

 Atualmente, embora o autismo seja bem mais conhecido, tendo inclusive sido tema de vários filmes de sucesso, ele ainda surpreende pela diversidade de características que pode apresentar e pelo fato de, na maioria das vezes, a criança que tem autismo ter uma aparência totalmente normal.
Ultimamente não só vem aumentando o número de diagnósticos, como também estes vêm sendo concluídos em idades cada vez mais precoces, dando a entender que, por trás da beleza que uma criança com autismo pode ter e do fato de o autismo ser um problema de tantas faces, as suas questões fundamentais vêm sendo cada vez reconhecidas com mais facilidade por um número maior de pessoas. Provavelmente é por isto que o autismo passou mundialmente de um fenômeno aparentemente raro para um muito mais comum do que se pensava.

Causas do autismo.

Acredita-se que a origem do autismo esteja em anormalidade em alguma parte do cérebro e, provavelmente, de origem genética. Admite-se que possa ser causado por fatos ocorridos durante a gestação ou no momento do parto.

Aspecto de manifestações autística.

Um continuum que vai do grau leve ao severo. O autismo é um distúrbio do comportamento que consiste em uma tríade de dificuldades:
1-Dificuldade de comunicação, dificuldade em utilizar com sentido os aspectos da comunicação verbal e não verbal, gestos, expressões faciais, linguagem corporal, ritmo e modulação.
2-Dificuldade de socialização- este é o ponto crucial no autismo a dificuldade em relacionar-se com os outros, a incapacidade de compartilhar sentimentos, gestos e emoções e a dificuldade na discriminação entre diferentes pessoas. Muitas vezes aparenta ser muito afetiva, segue um padrão repetitivo e não contém nenhum tipo de troca pobre consciência da outra pessoa, dificuldade de se colocar no lugar do outro e de compreender os fatos a partir da perspectiva do outro.
3-Dificuldade no uso da imaginação - rigidez e inflexibilidade várias áreas do pensamento, linguagem e comportamento da criança. Comportamento obsessivos e ritualísticos, compreensão literal da linguagem, falta de aceitação das mudanças e dificuldades em processos criativos.Forma de brincar desprovida de criatividade, exploração peculiar de objetos e brinquedos. Pode passar horas a fio explorando a textura de um brinquedo. Em criança que tem a inteligência mais desenvolvida, pode-se perceber a fixação em determinados assuntos.As mudanças de rotina costumam perturbar bastante.



Ana Maria S. Ros de Melo.AUTISMO – Guia prático 4ª Edição –Ano 2005.