ÉTICA.
Nos acostumamos, aprendemos e
ensinamos a dizer que a moral diz respeito à conduta esperada, ao comportamento
socialmente desejável, ao conjunto de valores socialmente aceitável, ainda que
variável, de sociedade para sociedade e de tempo para tempo. A ética por sua vez, dizemos, diz
respeito à singularidade, é uma reflexão sobre os nossos atos, sobre a dimensão
singular do ato humano. Entende-se a ética como uma reflexão sobre a moral,
sobre as ações socialmente esperadas, ou ainda sobre a prática da moral
enquanto norma social que rege as condutas.
Não há sociedade sem ética. A
ética é um dos pilares da sociedade, a moral é outro. A sociedade tem na ética
a base de toda sua solidez. A ética é uma espécie de bússola que aponta um
caminho da sociedade, a que faz continuar sendo uma sociedade, por mais que
mude ou sofra mudanças. Mas a sociedade é complexa e comporta contradições,
conflitos e tensões, inclusive, moral e ética.
A família é a base da sociedade,
logo a sociedade é feita de famílias, mas ao mesmo tempo ela destrói as
famílias.
Vivemos na cultura do
individualismo e do hedonismo, onde cada vez mais os interesses individuais se
sobrepõem aos interesses coletivos. Busca-se a todo custo gozar, não importa
como nem do quê, mesmo a custa da exploração e do sofrimento do outro. Os fins
justificam os meios e o fim é: se dar bem; levar vantagem em tudo; não importam
os meios. Os ideais parecem não mais existir.
Hoje as éticas têm sobrenomes: a
ética utilitária, a ética das finalidades... tudo tem de servir para gozar e
todos devem gozar da mesma forma; propõe-se os objetos de gozo e de felicidade,
ainda que não se propõe que todos possam ter acesso a esses objetos – daí a
violência, pois para atingir o fim, não importa o meio: eis a ética! Propor o bem
individual acima do bem comum tem graves consequências, isso trouxe consequências bastante preocupantes para os dias atuais. Os valores coletivos
ficaram para trás.
Essa ética utilitária acaba
criando isso que se chama de antiético. Essa frase: antiético, faz perguntar:
em que relação? Se for antiético, é contrária a ética? Qual ética? A ética dos
princípios, da finalidade, do bem comum? São tantas as éticas. Vive-se um mal
entendido no campo da ética, pois parece que alguns têm éticas e outros não tem.
Está na hora de voltar a ler e a
ensinar KANT nas escolas, para as nossas crianças e adolescentes. Ele propõe
uma ética universal que diz: você tem o direito de fazer qualquer coisa que,
qualquer um fazendo, seria também um bem para você. A ética universal de KANT é
muito importante e precisa ser ensinada. Esse tipo de juízo ético é fundamental
nos projetos de vida das pessoas, sobretudo se queremos uma sociedade centrada
nos valores humanos e no respeito ao outro.
Jorge Sesarino. Psicólogo e
Psicanalista. Revista Contrato.
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