quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O Processo de Avaliação e Intervenção em Psicopedagogia



AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA CLÍNICA.

Se nosso trabalho se desenvolve a partir do processo de aprendizagem e todos os seus determinantes, chegamos, enfim, em um ponto importantíssimo para nossa prática psicopedagógica que é a investigação de porque uma criança, um adolescente não está aprendendo dentro dos padrões estabelecidos pela escola, pela família e até mesmo pela sociedade.
Investigar, no sentido aqui empregado, diz respeito à avaliação que o psicopedagogo deve desenvolver no intuito de penetrar nas razões que impedem um sujeito de aprender. Portanto, avaliação= investigação.
Partiremos da queixa. Mas que é uma queixa? A queixa se constitui de uma reclamação, de um sintoma, de algo que não vai bem com o sujeito, neste caso, com seu processo de aprendizagem. Essa queixa deve ser investigada pelo Psicopedagogo com intuito de esclarecer o por quer da não aprendizagem, o motivo da reclamação – seja da família, da escola e até mesmo do próprio sujeito.
Ressaltamos, então, que o psicopedagogo precisa “ouvir” esta queixa, analisá-la, interpretá-la e, assim, seguir no seu processo de investigação/avaliação.
Vemos que é comum comentários do tipo: “Não sei o que fazer com este aluno, eu explico, explico e ele não assimila nada”. “Este aluno não presta atenção na aula, só vai bem  em português”. “Este aluno não vai bem na escola e a família não ajuda em nada”.
Acho que conseguiríamos listar, facilmente, uma infinidade de queixas apresentadas pelos professores acerca de seus alunos. E quanto a família? Bem, a família também reclama. É comum encontrar famílias que procuram o psicopedagogo porque acreditam que seu filho precisa de ajuda de um profissional. Portanto, a família também tem um posicionamento, uma visão a respeito da não aprendizagem do filho. Além disso, cabe ao Psicopedagogo ouvir o sujeito, ou seja, qual a queixa que o sujeito faz de si mesmo? E nesse caso, destacamos que é comum o sujeito argumentar que: “não consigo aprender, acho que não sou capaz”; “não consigo entender o que o professor fala”; “sou relaxado, não presto atenção na aula”. Lembre-se que esta “escuta é muito importante uma vez que sua investigação tem como ponto de partida a queixa apresentada pela escola, pela família e pelo sujeito.
O conceito e a aplicação dos instrumentos de avaliação mais utilizados no contexto psicopedagógico clínico. Vale salientar que não existe um modelo pronto e acabado de avaliação psicopedagógica. Não há como dizer a você que basta aplicar estes ou aqueles instrumentos e pronto-descobriu-se e resolveu-se a dificuldade de aprendizagem do sujeito. Que bom se assim fosse!
Apresentaremos alguns instrumentos formais que são utilizados em sessões diagnósticas, mas, desde já, destacando que estes são apenas referenciais. Lembre-se que cada caso é um caso em particular. O que pode dar certo com um sujeito, pode não surtir o mesmo efeito com outro.
O que você não pode perder de vista é que seu sujeito é acima de tudo:
-Cognitivo;
-Afetivo;
-Social;
-Pedagógico;
-Corporal.
O que queremos dizer com isto? Que o sujeito faz parte de um todo e não podemos identificá-lo por partes. Este é o olhar que você precisa ter ao aplicar um instrumento de avaliação. Faz-se necessário perceber que o sujeito que está a sua frente possui conhecimentos, afetos, se relaciona com os outros, faz parte de um contexto escolar, se organiza de uma determinada maneira. Enfim, este é o sujeito que o psicopedagogo precisa perceber.
Para tanto, há instrumentos formais, porém, ouse a ser criativo, pesquise e vá além dos que aqui iremos trabalhar. Vamos, então, conhecer alguns instrumentos de avaliação que o psicopedagogo pode utilizar durante as sessões, diagnósticas?
- Entrevista Operatória Centrada na Aprendizagem – E.O.C.A.
- Sessão Lúdica ou Observação Lúdica;
- Provas Operatórias;
- Provas Projetivas Psicopedagógicas;
- Provas Pedagógicas;
- Anamnese;
-Entrevista com a Escola
- Prova e Testes Complementares.
Antes de esclarecermos sobre cada um dos instrumentos de avaliação elencados, convém discutirmos um pouco sobre a postura do psicopedagogo quando da aplicação das provas e desenvolvimento das entrevistas.
- Controle sua ansiedade diante do sujeito. Fique calmo e comece a estabelecer um vínculo com ele. Isto é essencial para o desenvolvimento de sua avaliação diagnóstica.
- Evite usar expressões como: muito bem, parabéns, você está fazendo direitinho a tarefa. Essas expressões acabam por reforçar atitudes no sujeito. O que o sujeito pensará quando você não utilizar estas palavras? Cuidado até mesmo com sua entonação de voz.
- Evite fazer “caras e bocas”. Isto é, expressões faciais que denotam aprovação ou reprovação diante do sujeito. Ao olhar nossa expressão o sujeito perceberá se o que está fazendo está certo ou errado. O importante na avaliação psicopedagógica é o que o sujeito sabe fazer, o que ele pode e consegue executar, não o que queremos que ele faça. Tente, então, ficar com “cara de paisagem”. (Que tal treinar um pouquinho?).
- Seja verdadeiro, não invente desculpas e/ou histórias se o sujeito lhe fizer questões quanto ao trabalho que está sendo realizado. “Jogo aberto” nesse momento.
- Trabalhe com a ansiedade e angústias dos pais e da escola. Explique acerca do trabalho que vem realizando, mas não deixe que isto atrapalhe o desenvolvimento de suas atividades.
- Você pode optar por se sentar de frente ou ao lado do sujeito durante a aplicação das provas. Veja como fica melhor para você.
- Estude sobre o instrumento a ser aplicado.
- Atenção quanto ao vocabulário utilizado. Evite usar termos complexos, faça uso dos sinônimos.
- Você pode fazer anotações durante a aplicação das provas. Apenas não se desespere diante do sujeito como se quisesse anotar até mesmo sua respiração. Você também pode fazer uso do gravador, porém, desde que haja autorização do sujeito e isto não sirva como um inibidor.
- Escolha um ambiente tranquilo, calmo, sem interferência de outros. Escolha um local onde fique apenas você e o sujeito.
- Preste atenção em tudo. Qualquer comentário, qualquer conduta,qualquer produção do sujeito é importante para o diagnóstico psicopedagógico.
- Seja você e perceba que a sua frente existe um “ser humano”.
Entrevista Operativa centrada na Aprendizagem.
A Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem - E.O.C.A. foi elaborada por Jorge Visca (1987) com o intuito de “permitir ao sujeito construir a entrevista de maneira espontânea, porém dirigida de forma experimental” O autor sugere que a E.O.C.A. seja desenvolvida como uma forma de primeiro contato com o sujeito, uma primeira entrevista. A proposta de atividade e também os materiais podem variar de acordo com o sujeito a ser avaliado. Use o bom senso.
Em geral, a lista de materiais durante a entrevista é composta de: folhas brancas, papel pautado, folhas coloridas, lápis preto novo sem ponta, apontador, régua, tesoura, cola, revistas e livros.
O procedimento consiste em apresentar os materiais ao sujeito e solicitar que este mostre o que sabe fazer, o que aprendeu, o que tem vontade de fazer. Para tanto, o psicopedagogo pode fazer uso de inúmeras consignas, tais como:
Aberta: Gostaria que você me mostrasse o que sabe fazer. Esse material é para você utilizar como quiser.
Fechada: Gostaria que você me mostrasse outra coisa que não seja...Me mostre algo diferente do que você já mostrou.
Direta: Gostaria que você me mostrasse algo de matemática, escrita, leitura etc.
Múltiplas: Você pode ler, escrever, pintar, desenhar, recortar etc.
Pesquisa: Para que serve isto,o que você fez, que horas são, que cor você está utilizando etc.
Durante a E.O.C.A. preste atenção no que o sujeito diz,no que o sujeito faz e na produção desenvolvida por ele. As atitudes, os conhecimentos que demonstra, enfim, atente-se aos aspectos relevantes e que possam requerer aprofundamento durante as próximas sessões. Ah! Não esqueça de fazer uso de suas anotações durante todo o processo de entrevista.
Visca (1987) propõe que a partir desta análise seja possível desenvolver o Primeiro Sistema de Hipóteses e assim dar continuidade ao processo diagnóstico uma vez que este estabele quais as linhas de investigação que o psicopedagogo deve investir seus esforços. Lembre-se que as hipóteses são levantadas de acordo com as observações e intervenções desenvolvidas durante a E.O.C.A.

SESSÃO LÚDICA OU OBSERVAÇÃO LÚDICA.
A sessão Lúdica ou Observação Lúdica, como o próprio nome já sugere, envolve o brincar, o lúdico no diagnóstico psicopedagógico. O brincar consiste em uma forma de expressão e, neste sentido, pode contribuir com o processo de avaliação diagnóstica, uma Vaz que ao brincar o sujeito revela pensamentos, ações, atitudes, e que talvez não pudessem ser observados em outras entrevistas.
Questões afetivas e sociais podem emergir na medida em que brincamos. Certa vez, em uma Sessão Lúdica, uma criança disse: “Eu vou brincar de uma coisa. Só que não vou brincar do que eu estou pensando, porque senão você (o psicopedagogo) vai descobrir coisas sobre mim”. Esse comentário nos mostra o quanto esse instrumento de avaliação pode nos auxiliar no diagnóstico psicopedagógico.
A Sessão Lúdica também pode ser utilizada como uma primeira forma de contato com o sujeito. Sua aplicação consiste em selecionar jogos e materiais lúdicos, de acordo com a faixa etária do sujeito, e solicitar que este brinque e faça aquilo que deseja.
Atenção com os materiais selecionados. Prefira coisas mais simples, mais baratas e menos sofisticadas. Exemplo de materiais: jogos comerciais (dominó, damas, memórias etc.), materiais de artes, sucata, fantoches, brinquedos de “casinha,” brinquedos de “escolinha” etc. Não esqueça da faixa etária a que se destina os materiais.
(Autora: Shiderlene Vieira de Almeida Lopes)











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