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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
FIDELIDADE -VINICIUS DE MORAIS
Fidelidade
De
tudo, ao meu amor serei atento
Antes,
e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que
mesmo em face do maior encanto
Dele
se encante mais meu pensamento.
Quero
vivê-lo em cada vão momento E em
seu
louvor hei de espalhar meu canto E rir
meu
riso e derramar meu pranto Ao seu pesar
ou seu
contentamento.
E
assim, quando mais tarde me procure
Quem
sabe a morte, angústia de quem vive
Quem
sabe a solidão, fim de quem ama
Eu
possa me dizer do amor (que tive) Que
não
seja imortal, posto que é chama Mas que
seja
infinito enquanto dure.
Vinicius
de Moraes.
Ivani Fazenda Interdisciplinaridade
HUMILDADE
Humildade é conhecer os próprios limites. Aceitar que sabe algo de modo
imperfeito, incompleto, que, a qualquer momento, pode ser questionado,
reformulado e mesmo superado.
E, nessa atitude, estar sempre à procura de novos elementos para
reforçar, esclarecer o que se julga saber. Encontrando-os, ter a coragem de
cotejá-los, incorporá-los, mesmo que isso signifique ter que abandonar a
satisfação e a segurança pessoal. Aceitar que o outro, embora pareça simples e
ignorante, também sabe algo. Que todos podem sempre, de alguma forma,
contribuir para enriquecer o conhecimento. Que se aprende com o aluno, com o
colega, com o dito leigo na matéria. A humildade facilita o conhecimento, uma vez
que este não tem fronteiras sagradas, zonas obscuras. A pesquisa, a aprendizagem
sempre apontam para todos os lados, no espaço e no tempo. Quando alguém julga
que aprendeu é porque não aprendeu nada, está ainda começando, pois sequer sabe
que não sabe. O verdadeiro sábio, o humilde aprendiz é aquele que, tendo feito
tudo o que julga necessário e pertinente, é capaz de dizer, parafraseando o
Evangelho: Sou um servo inútil. E até mais, como diziam os latinos: Fiz o que
pude. Façam mais e melhor os que puderem.
MUDANÇA.
Segundo Gusdorf (1967), a mudança é o motor da transformação do homem:
ao tomar consciência de sua situação na sociedade e no tempo, descobre
exigências fundamentais de sua existência e, ao obedecer, conformar-se ou
submeter-se, acaba por negar o seu direito à escolha, ao exercício da vontade
própria. Mudar não é deixar-se levar como um navio à deriva: é se autogovernar
em meio às circunstâncias, às tempestades, exercitando, de forma consciente, as
possibilidades. A força da verdadeira mudança não exclui fragilidade. Todo
homem tem seus pontos fracos, e percebê-los representa a possibilidade de
superação. Neste sentido, o impulso necessário a qualquer processo de mudança
não é exterior ao homem, mas está nele, levando-o a superar os seus limites. Nesse
processo, a tomada de consciência e o respeito aos valores éticos passam a ser
referências para o restabelecimento do equilíbrio comprometido. Mudar significa
(re) visão de atitude e posicionamento perante o mundo e a
realidade, passagem, um movimento, entre um velho que se extingue e um novo que,
gradativamente, adquire forma. Esse movimento carrega em si duas forças
antagônicas, uma que busca a realização e outra que reafirma os valores
construídos e, por isso, persiste...
Mudança e prática pedagógica.
O constante movimento de (re)estruturação é inerente à
condição humana. Nele se alteram a harmonia e o conflito, a dinâmica e a
estática, a convivência e o isolamento, a ação e a inércia. Assumir uma atitude
frente à mudança é ter consciência de que esse processo se inicia com a busca
do eu interior para, a partir dele, compreender o mundo exterior. É estar
aberto frente ao desconhecido, ao inesperado e ao imprevisível.
Mais do que grandes inovações, mudar é construir um trabalho coerente
com a realidade e as necessidades dos alunos, numa época marcada por grandes
contradições, de apelo ao uso de novas e sofisticadas tecnologias. A mudança
pode ter início em situações mais simples, nem por isso menos importantes.
Ampliar as possibilidades de entendimento entre as pessoas, (re)introduzir
valores como ética e respeito ao outro, ao diferente podem representar o (re)início
de um novo tempo. (Re)introduzir a dimensão do prazer, do
resgate da auto-estima pode se constituir verdadeiros detonadores de processos
de mudança. Neste sentido, as escolas devem se tornar espaços fascinantes para
o aluno aí levar, a cada dia, suas curiosidades e daí retornar com novas
descobertas e possibilidades. Se, no entanto, suas indagações ficam sem
respostas e suas esperanças se desfazem, como esperar ações capazes de gerar
mudanças, de transformar a realidade?
Para
Paulo Freire, não
"é possível pensar em transformar o mundo sem sonho, sem utopia ou
sem projeto (...). Os sonhos são projetos pelos quais se luta. Sua realização
não se verifica facilmente, sem obstáculos. Implica, pelo contrário, avanços,
recuos, marchas, às vezes demoradas" (2000: 54).
Dicionário
em construção : interdisciplinaridade / Ivani C. A.
Fazenda
(org.). - 2. ed. - São Paulo : Cortez, 2002
Para uma Pedagogia do Afeto.
Para uma Pedagogia
do Afeto.
O alimento ideal para o
desenvolvimento do ser humano é o afeto. Sem ele o homem poderá desenvolver neuroses,
tornar-se psicótico, apresentar retardamento mental e até morrer. Mesmo assim,
ainda hoje a educação vem ignorando esse aspecto essencial ao ser humano, como
se para aprender pudéssemos prescindir do afeto, do desejo, da emoção. É como
se a aprendizagem fosse algo restrito a sala de aula.
Aprender é condição
característica e indispensável à sobrevivência da espécie humana; é, portanto,
um ato de vida. Mas em nome de um sujeito epistêmico estudado por Piaget e
adotado pela educação, esqueceu-se do particular, daquele sujeito que, ao ser
concebido, já é fruto do desejo do outro e que receberá junto com seu nome os sonhos, as fantasias e esperanças
desse outro.
A Psicanálise surge, então, como
uma possibilidade para resgatar a função do desejo na
aprendizagem mostrando caminhos, para aqueles que não aprendem ou não ensinam, sinalizados pela estrela interior
de cada um, pois desejo
vem da raiz sid que significa estrela. Seguir o desejo
é pois seguir a estrela, estar orientado, seguir aprendendo pela vida. Deve-se
promover a aprendizagem plena, prazerosa,
erotizada pelo desejo de conhecer.
(Márcia Siqueira de Andrade)
O PAPEL DO PSICOPEDAGOGO
O Papel do Psicopedagogo.
Muito se tem discutido sobre o
papel do psicopedagogo, sintoma de que o espaço da Psicopedagogia ainda não
está definido. Pode-se pensar a Psicopedagogia como o espaço para o qual
convergem diferentes áreas do conhecimento cujo campo de atuação seria
identificado pelo processo ensino/aprendizagem.
Por outro lado, ao se considerar
a questão da aprendizagem como uma característica da espécie humana que tem
garantido sua sobrevivência mesmo em condições adversas, desloca-se da sala de
aula e da relação professor/aluno a reflexão, os estudos e a atuação dos profissionais
que pretendem compreender questões ligadas à aprendizagem. Aprender torna-se
ato de vida humana, não de vida escolar.
A Psicopedagogia, neste contexto,
deve ser entendida como uma área interdisciplinar que pretende compartilhar as
reflexões, pesquisas e atuação dos aspectos relacionados ao processo
ensino/aprendizagem.
O psicopedagogo não será,
entretanto, aquele profissional que acolhe recortes de diferentes teorias e constrói
um novo Frankstein. Não será a Psicologia, mais a Pedagogia numa relação
aditiva que dará origem a uma nova disciplina, a Psicopedagogia.
Neste momento em que se discute a
interdisciplinaridade nos meios acadêmicos do Brasil, há que se fazer uma pausa
para se resgatar a Psicopedagogia como, talvez, a primeira proposta interdisciplinar
que apresenta um corpo concreto, palpável e por isso mesmo passível de críticas
e reformulações.
A Psicopedagogia cresce e se
torna possível ao acolher as diferentes contribuições da Linguística, da Fonoaudiologia,
da Nutrição, da Medicina, da Psicologia, da Pedagogia e de tantas outras áreas
de autuação numa perspectiva multiplicativa, fecundante onde todos contribuem e
aprendem. Este é um exemplo de como a divisão pode ser uma multiplicação.
Depende de como e de onde se olha.
Mas a questão da interdisciplinaridade
acaba esbarrando numa característica humana exclusivista, territorialista, que
prejudica essa possibilidade multiplicativa. O psicopedagogo deve superar esses
aspecto, deve aprender a conviver com a falta; mais ainda, o psicopedagogo deve
reconhecer a função positiva da ignorância na medida em que só a partir do
reconhecimento das limitações, das ausências, da falta de algo pode-se
mobilizar e partir em busca da satisfação.
Alicia Fernandez faz uma bela
analogia entre o mito da Arvore da Sabedoria e a aprendizagem no seu livro: La sexualidad atrapada de
la señorita maestra.7 Aqui se pode fazer uma analogia
entre esse mesmo mito, o papel do psicopedagogo e a Psicopedagogia.
Adão e Eva viviam no paraíso,
plenamente satisfeitos até que Eva come do fruto da Árvore da Sabedoria e dá a
Adão o mesmo fruto. Imediatamente eles se dão conta da diferença sexual, o que
equivale dizer da falta e são expulsos do paraíso. A partir daí precisam
produzir para sobreviver.
É só à partir da tomada de
consciência da falta, que se cria, se constrói se produz. Feliz daquele que
pode conviver com suas limitações pois este sim poderá ultrapassá-las através
da criação.
A Psicopedagogia assume suas
limitações e à partir da busca das respostas às indagações que se faz, não teme
transitar por outras áreas, estabelecer parcerias, crescer, se multiplicar como
Adão e Eva expulsos do paraíso.
Muitas vezes caberá ao
psicopedagogo apontar a falta e a possibilidade de convivência saudável com
essa percepção aos seus pacientes, e ele só poderá dar conta dessa tarefa se
puder fazer isso consigo mesmo. O
psicopedagogo não será, portanto, nem o psicólogo, nem o professor particular,
mas será o que falta a cada um deles através de um processo de criação.
(Márcia Siqueira de Andrade
Psicopedagogia Clinica Manual de Aplicação Prática para Diagnóstico de
Distúrbios do Aprendizado. 1ª edição 1998)
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